De um lado o papa tudo, do outro,
o tranca tudo. Quem leva a Libertadores?
![]() |
| Corinthians quer primeira Libertadores |
Após 102 anos de história da
fundação de um dos maiores clubes do futebol brasileiro, o S.C Corinthians
Paulista, e muitos títulos conquistados, finalmente, o timão chega a sua
primeira decisão de Taça Libertadores da América. A decisão começa amanhã.
Será que chegou a vez da
Libertadores no currículo desse grandioso escrete? Essa é a pregunta que se faz
cada corinthiano, além dos rivais, é claro.
Uma coisa é fato.
Indubitávelmente, o clube chegou onde jamais esteve, a final. Muitos
especialistas dizem que essa o Timão não larga. Os torcedores estão mais do
que otimistas. Estão cansados de serem alvos de gozação das torcidas rivais. E
os jogadores, em campo, carregam essa enorme pressão e parecem que estão
preparados para tamanha responsabilidade.
O caminho até então não foi
fácil. Depois de uma primeira fase num grupo tranquilo, o Corinthians enfrentou
o Emelec nas oitavas de final. E segurando um empate de 0 a 0 fora de casa,
veio ao Pacaembu e enfiou três nos equatorianos. Na fase seguinte, nas quartas,
teve o Vasco, Vice-campeão Brasileiro e Campeão da Copa do Brasil em 2011.
Novamente o timão jogou com o regulamento fora de casa. Com uma defesa
impenetrável, empatou em 0 a 0 no Rio de Janeiro e em casa venceu por 1 a 0,
aos 42 do segundo tempo. Ufa suado!
Na semifinal, outra pedreira. O
atual campeão da Libertadores, o Santos do craque Neymar. O Timão fez 1 a 0 na
Vila Belmiro, saiu na frente e colocou 11 cadeados na meta alvinegra, assegurando
a vitória. Na segunda partida, o time santista até tentou, furou o bloqueio e saiu
na frente do marcador ainda no 1o tempo. No 2o tempo o
Corinthians veio disposto a soltar um pouco as travas, porém o gol logo no
início da etapa final fez o timão trancar tudo novamente e com duas linhas de
cinco, praticamente não deu nenhum espaço para reação.
![]() |
| Corinthians nunca venceu o Boca |
Se a vida até então foi difícil e
a final então.O Corinthians terá simplesmente o papa tudo da competição, o
temível, Boca Juniors. Talvez o pior adversário que o Timão poderia pegar no
seu debute em finais.
Começemos dando às más notícias
aos torcedores alvinegros. O Boca é hexacampeão do torneio e quer tornar-se o
maior campeão da competição, ao lado do Independente (Arg), que possui sete
conquistas. O clube chega à sua décima final de campeonato. E os número realçam
o porquê de sua fama. Em nove finais venceu seis. Nos 231 jogos, foram 124
vitórias, 54 empates e 53 derrotas. Marcou 358 gols e sofreu 213.
O primeiro jogo acontece no
lendário La Bombonera, casa dos argentinos. Local este, que os argentinos
atuaram em 114 oportunidades. Venceram 81 vezes, empataram 24 e sofreram apenas
nove derrotas, ou seja, sofreram o revés em somente 8% das partidas e venceram 71%
de seus jogos em casa.
A receita dos argentinos é bem
simples. Joga como nunca para ganhar no La Bombonera e depois joga a
responsabilidade para o adversário tentar virar o resultado. Além dos 49 mil
torcedores que estarão presentes, a final deve ser acompanhada por dois
ilustres torcedores e ídolos do clube. Um é Diego Maradona. O outro é antigo
conhecido da fiel, Carlitos Tevez.
Em suas conquistas, o Boca, é
terrível contra os brasilieiros. Bateu quatro tupiniquins em finais. Em 1977, o
Cruzeiro nos penaltis, vencendo em casa por 1
a 0 e perdendo no Mineirão pelo mesmo placar. Na disputa da cal, foi 5 a 4. Em
2000, o Palmeiras, novamente nos penaltis. Empatou em casa por dois gols e em
São Paulo, não saiu do zero. Quatro a dois nas cobranças alternadas. Em 2003,
outro paulista, o Santos. Nessa disputa, com mais facilidade venceu por 2 a 0
em casa e também ganhou fora, por 3 a 1.
Na sua ultima conquista
intercontinental, em 2007, o Boca pegou o Grêmio. Também jogou a primeria
partida em casa, vencendo por 3 a 0 e no estádio Olímpico venceu por 2 a 0. Em
todas as conquistas citadas, os argentinos sempre jogaram a primeira partida em
seus domínios e foram decidir fora depois. Mesma sitação dessa final.
A história também é cruel para o
Corinthians nos confrontos entre os dois clubes. Em quatro jogos, o time
brasileiro nunca venceu.
Ah, o Timão. Clube que carrega 25
milhões de torcedores. Uma vez Campeão Mundial de Clubes. Cinco vezes campeão
Nacional. Três vezes campeão da Copa do Brasil, um título da série B do
Brasileiro e 26 Campeonatos paulistas.
A grande frase dos corinthianos
certamente é “Pra tudo existe uma
primeira vez”. Primeira vez a ganhar do Boca Juniors e primeiro brasileiro
a conseguir esse feito em uma final, mas principalmente, a primeira vez a
ganhar uma Libertadores.
O Corinthians tem um histórico
bem inferior na competição. Porém, faz em 2012, sua melhor campanha na Taça
Libertadores da América. Está invicto no torneio. Sofreu apenas três gols e
nenhum gol em casa. Nas 12 partidas que disputou na competição, foram sete vitórias
e cinco empates, sendo cinco resultados positivos no Pacaembu. E talvez essa
seja a grande vantagem corinthiana.
Conhecido por ser um time
ecônomico na era Tite no que se refere a gols marcados, porém competitivo ao
extremo, a fama do time é exaltada pela sua capacidade em não tomar gols. Agora
vem a boa nótícia para a torcida corinthiana. A verdade é que para conseguir o
maior feito de sua história o Corinthians não precisa vencer para se sagrar
campeão.
![]() |
| A dois empates do título |
Além do regulamento da
Libertadores ser diferente na final, com relação ao restante da fase de
mata-mata, já que na decisão não existe gol qualificado (o gol fora não tem peso
maior), o que importa é o resultado final e o placar agregado, ou seja a soma
de resultados. O Timão pode perfeitamente segurar dois empates e apostar numa
decisão por penaltis.
Situação essa que para muitos torcedores poderia ser um passo para um enfarte do coração, para o âmago corinthiano seria mais do que uma situação corriqueira, seria a cara do Corinthians. Afinal, corinthiano é “maloqueiro e sofredor”, com a “graça de Deus!”
Pelos números apresentados, se
este humilde expectador fosse questionado sobre quem ficaria com o título, não
tenham dúvidas, meu all-in seria direto no temível Boca. Mas nesta edição da
Libertadores, parece-me que a questão não é probabilidade, habilidade ou superioridade.
Como diz o professor Tite, a bola
da vez é treinabilidade, competitividade e principalmente, no caso do
Corinthians sagacidade em jogar com o regulamento e impenetrabilidade de sua
defesa.
Sem dúvidas é o maior jogo do
ano. Jogo para se tornar o maior Campeão ou Campeão pela primeira vez. Para o corinthiano, o jogo da vida.
Acredito que a primeira partida pode determinar o
desfecho dessa Libertadores. E o Boca costuma ser um bom anfitrião!

.jpg)



